Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Cartoon

Título: Talheres
Autor: Goram Divac 
Nacionalidade: Sérvia
Publicação: jornal Vicerne Novosti

Assim é que [não] é falar!


Se pensarmos que bem falar e bem escrever são provas de respeito pelo nosso património e de afirmação de bom gosto, então, trataremos a língua como quem faz a sua higiene pessoal ou se preocupa em vestir com elegância, mesmo que discreta. As frases que abaixo se transcrevem, incorporam alguns dos erros gramaticais mais frequentes da língua portuguesa. Leia-as agora com atenção e prometa que nunca as repetirá porque elas estão quase todas mal escritas. Melhor dizendo, todas menos uma e o desafio é descobrir qual:
  1. Já tomastes banho?
  2. O desporto que eu mais gosto é o  futebol.
  3. Este ano haverão muitas uvas.
  4. O ciclista afirmou de que a vitória foi difícil.
  5. Ele era o personagem principal da história.
  6. O anúncio dizia assim: "Vende-se apartamentos".
  7. Se os gatos se entretessem sozinhos, não estragavam os tapetes.
  8. A presidenta do Brasil esteve recentemente em Portugal.
  9. A mãe interviu a tempo de o João não cair.
  10. O consenso foi atingido quando as suas propostas foram de encontro às minhas.
  11. A moral dos jogadores da Académica estava excelente.
  12. Notou-se uma grande aderência dos portugueses à causa dos timorenses.
  13. À bocado encontrei a minha melhor amiga.
  14. Eu disse a ela que não esperasse por mim.
  15. Foi a tropa rebelde que atacou primeiro e assim espoletou o conflito global.
  16. Há-des ver este filme que é muito interessante!
[Aos primeiros leitores que derem a resposta certa, o RUA DA SOFIA oferecerá, como habitualmente, um bom livro. A resposta ao desafio será divulgada na próxima segunda-feira, dia 4 de Junho. Aproveitar-se-á, naturalmente, para indicar a forma correta de escrever das restantes frases]

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Portugal, 1943

Amnistia Internacional


A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, na sequência de uma notícia publicada no ano anterior pelo jornal Daily Telegraph sobre a condenação de dois jovens estudantes portugueses a sete anos de prisão por gritarem "viva a liberdade!" numa esplanada de Lisboa durante o regime de Salazar. O causídico apelou aos países que libertassem pessoas detidas por motivos de consciência, incluindo convicções políticas e religiosas, preconceitos raciais ou linguísticos.

O movimento foi formalmente lançado com a publicação, em 28 de Maio desse ano, no jornal The Observer, do artigo The Forgotten Prisioners, denunciando vários casos mundiais. The Forgotten Prisioners era um artigo sobre pessoas presas, torturadas e mortas por razões políticas em todo o mundo e é hoje considerado como o primeiro acto - pelo que simboliza o nascimento - da Amnistia Internacional.

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Sinais da Crise

[Foto publicada no Jornal de Notícias]

Vida de Cão

Lagosta suada em crepes doces
Frango na púcara
Coelho desossado com puré de legumes
Vaca gourmet
Salmão no forno com batatinhas
Atum com salada russa e maionese
Refeição light
Leite creme sem açúcar
Leite creme com açúcar
Pastéis de nata felinos
Pastéis de nata caninos


Ora aí está! À escolha do freguês! Basta ir ao supermercado, deambular uns minutos pela zona da alimentação dos animais domésticos e é o que se nos depara. Comida variada, alguma a preços exorbitantes, comida fina, cuidada e escolhida na qual um “sem abrigo” canino ou felino nunca porá um olho, quanto mais os dois olhos! Mas está bem! São os nossos bichinhos de estimação ou de companhia ou como lhes queiramos chamar. 

E uma visita à loja dos animais? Lá há de tudo! Coleiras de todas as cores e comprimentos, ossos de borracha, ratos e gatas de peluche, mantinhas, telhados de plástico para gatos com cio, camas de todos os feitios, mata pulgas, águas de colónia com cheiro a leão, outras com cheiro a tigre, pó de talco, capas de invernoso xadrez para cobrir os seus lombos, molduras, brinquedos, música até! E os hospitais e as urgências hospitalares e os psicólogos de animais e os serviços funerários. 

Dantes, muito dantes, no tempo em que os animais falavam, os gatos comiam os restos dos pratos e lambiscavam, quando muito, um pires de leite. E era bela, essa imagem do gato a lambiscar o pires de leite! Estava certa, essa imagem. Um homem é um homem, um gato é um gato. E para o cão cozia-se-lhe um tacho de arroz com aparas de carne trazidas do talho. E também roía uns ossos a sério, ensanguentados, com pedacinhos de carne agarrada e levava um dia inteiro a roer o osso. Satisfeito! Um animal satisfeito!

(Fonte: Cristina Carvalho, De Rerum Natura. Texto adaptado)

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Lucian Michael Freud


Lucian Michael Freud (1922-2011) foi um pintor alemão, filho de pais judeus e neto de Sigmund Freud. Ele e a sua família mudaram-se para o Reino Unido no ano de 1933 para escapar do regime nazi, tendo adquirido a cidadania britânica no ano de 1939. Lucian ficou conhecido pelas suas pinturas figurativas, que incluem retratos de familiares e amigos e nus. Ao longo de sua carreira, ele foi identificado com movimentos artísticos como realismo, expressionismo e surrealismo.

Enviar SMS's ao volante?!



O envio de mensagens escritas pelo telemóvel enquanto se conduz pode ser tão ou mais perigoso que conduzir alcoolizado. Neste vídeo, o instrutor informa os seus alunos das novas orientações recebidas do ministério que exigem mais uma competência a todos os aspirantes a condutores encartados: enviar 'sms' e conduzir ao mesmo tempo. A coisa não é nada fácil. Além disso, é perigosa...

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Golpe de 28 de Maio de 1926

O general Gomes da Costa passa revista às tropas revoltosas
antes do avanço sobre Lisboa.



















A Revolução de 28 de Maio de 1926, Golpe de 28 de Maio de 1926 ou Movimento do 28 de Maio, também conhecido pelos seus herdeiros do Estado Novo por Revolução Nacional, foi um pronunciamento militar de cariz nacionalista e antiparlamentar que pôs termo à Primeira República Portuguesa, levando à implantação da Ditadura Militar, depois auto-denominada Ditadura Nacional e por fim transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo, regime que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974.

A revolução começou em Braga, comandada pelo general Gomes da Costa, sendo seguida de imediato em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém. Consumado o triunfo do movimento, a 6 de Junho de 1926, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, Gomes da Costa desfila à frente de 15 mil homens, sendo aclamado pelo povo da capital.

A [i]literacia financeira dos Portugueses


Quando se pergunta aos portugueses "o que entende por literacia financeira?" a resposta é quase sempre a mesma: silêncio, silêncio esse que evidencia a falta de conhecimento, quer financeiro, quer de semântica. Literacia financeira é, em resumo, a combinação de sensibilidade, conhecimento, capacidades, atitudes e comportamentos necessários para a tomada de decisões financeiras e, finalmente, para alcançar o bem-estar financeiro.

De acordo com um estudo recente do Banco de Portugal, os portugueses apresentam um baixo nível de literacia financeira. Há, de facto, muita informação disponível, no entanto, o grande problema dos portugueses é que uma elevada percentagem não compreende essa mesma informação, o que os leva a não tomar as melhores decisões. Entre outras conclusões, o estudo revelou que:
  1. Os portugueses não ponderam o custo e a rentabilidade da conta no momento da escolha do banco, sendo os critérios mais utilizados para o efeito, a recomendação de familiares e amigos (35%), a proximidade de casa ou do trabalho (23%) e a exigência da entidade patronal (14%);
  2. A maioria da amostra (89%) considera (muito ou apenas) importante a elaboração do orçamento familiar;
  3. Apesar de a grande maioria dos portugueses ler a informação pré-contratual, ainda há 13% da amostra que não a lê, porque confia na informação transmitida pelo funcionário de balcão, e 2% simplesmente não lê;
  4. A grande maioria da amostra não costuma comparar produtos financeiros, adquirindo-os por conselho de balcão (54%) ou de amigos (25%);
  5. Há uma percentagem significativa e preocupante de consumidores que não conhecem as taxas dos seus depósitos e dos seus créditos, 19% e 22%, respectivamente, uma vez que na escolha dos empréstimos pondera, sobretudo, no valor da prestação, não havendo uma avaliação do custo total do crédito;
  6. Finalmente, há a tendência para a sobreavaliação dos [seus] conhecimentos financeiros [básicos].
(Fonte: Consultório do Consumidor in Diário de Coimbra. Texto adaptado)

Domingo, 27 de Maio de 2012

Um dia isto tinha de acontecer


Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente! Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos. 

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre, mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. 

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar [quase] tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra [quase] tudo. E éramos [quase] todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar! A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades/características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim, embora estejam à rasca, como todos nós. Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?! 

Novos e velhos, todos estão à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta. Pode ser que nada/ninguém seja assim.

(Autor desconhecido.  Recebido por e-mail)

Buranovskiye Babushki


Buranovskiye Babushki ('Avozinhas de Buranovo') é o nome da banda que reúne seis velhinhas da Rússia que se propuseram participar no festival da Eurovisão. O desafio é, por si só, atractivo e talvez porque o modelo do espectáculo esteja já esgotado, a presença de seis avós divertidas tem a vitória da originalidade assegurada.

Num espectáculo onde a voz, a imagem, a presença e o movimento somam pontos, aparecem oito avós frágeis. No entanto, os primeiros minutos da música da Rússia enganam. Afinal, estas avós movem-se com vigor, dançam e cantam em ritmo elevado, em crescendo, contrariando a lei da vida: cada vez mais fortes.

Sábado, 26 de Maio de 2012

Menina do lagarto


António Quadros (n. 1933), pintor português
Menina do lagarto (1956)
Óleo sobre Cartão, 51x42,5cm
Colecção da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Os Portugueses


Barry Hatton faz incidir uma luz sobre este enigmático canto da Europa, ao misturar a análise histórica com divertidos episódios pessoais. Descreve as idiossincrasias que tornam os portugueses únicos e percorre os acontecimentos que os conduziram até ao ponto em que se encontram hoje.

Com um descontraído e sedutor estilo de vida, expresso da forma mais clara no seu gosto pela comida, os portugueses têm também uma veia anarquista, evidente em muitas facetas da vida contemporânea. Jornalista veterano e comentador de Portugal, o autor traça um retrato íntimo de um país e de um povo fascinante e, por vezes, contraditório.